CONSULTORES
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Luiz Albuquerque
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Conheço um comerciante que adora frequentar cursos, palestras, seminários e o que mais houver relacionado ao comercio. Ele argumenta que sempre fica alguma coisa, nem que sejam as parcelas do evento para serem pagas. Ainda assim, acha que todos são excelentes e que o difícil é aplicar, na prática, o que é apresentado na teoria.
E foi ele quem me contou que, certo dia, procurou um consultor de empresas para que criasse um Manual de Normas e Procedimentos para aplicar na firma. Definidos temas e prioridades, o profissional apresentou um projeto, que foi aprovado. Preparado o Manual, o consultor se reuniu algumas vezes com os principais colaboradores da firma para dirimir dúvidas quanto à aplicação e acompanhamento das normas. Passado um ano, ao fazer uma visita à empresa, o Consultor viu que grande parte do que havia estabelecido no manual não era aplicado. Conversando com o proprietário, foi informado que a dificuldade da implantação das normas se dava pela negativa dos mais antigos funcionários em aplicá-las rotineiramente, o que levou toda a equipe a, simplesmente, ir aos poucos deixando de lado todo o trabalho desenvolvido.
Mas a história é outra. Na década de 1970, numa próspera cidade do interior da Amazônia, conheci o dono de uma firma que me contou este caso. A empresa, que nasceu e cresceu desarrumada até onde nem se podia imaginar, vendia de tudo, ou quase tudo. Só mesmo ele e seus colaboradores, todos antigos na casa, sabiam onde buscar cada produto.
O caixa daquela loja, embora existisse, não funcionava, já que todo dinheiro que entrava ia direto para os bolsos de suas calças, os quais deviam chegar até o meio da canela pois neles cabiam lotes de dinheiro, lá colocados amassados e sem nenhum cuidado ou atenção. Tudo o que comprava era à vista, pagando sempre em dinheiro, haja vista que sua total desorganização não permitia qualquer controle, seja de caixa ou estoque.
Um dia ele adoeceu. O caso era grave, precisava de ponte de safena. Embarcado num avião, foi para São Paulo, onde fez a cirurgia. Lá, durante a recuperação cirúrgica, hospedou-se na casa de um primo, comerciante bem sucedido no lugar, que o convenceu a se organizar. E o argumento foi simples: “Primo, do jeito que leva sua loja, você está sendo roubado a três por quatro”. Certo da necessidade de colocar tudo em pratos limpos, foi com o primo a uma agencia de consultores. Estes, numa tarde de conversa, traçaram um quadro assustador, de que em algumas décadas ele estaria falido.
Convencido de ser o melhor a fazer, o empresário acertou que uma equipe fosse até sua empresa para, assim, levantar a situação “in loco”, e depois lhe apresentar uma proposta de serviços. Assim foi feito.
De volta à sua cidade, ele recebeu os consultores e para eles abriu loja e informações. Pagou despesas de viagem, hospedagem, alimentação e até diárias para cada consultor pelos dias passados na cidade, conforme foi apresentada a fatura de cobrança. Recebeu a proposta para o serviço de consultoria e... não deu nem notícias.
Meses depois, seu primo ligou.
“E aí? Você já deu a resposta para a firma de consultoria para eles fazerem o serviço em sua empresa?”
“Fiz não, primo. É melhor eu continuar como está, mesmo.”
“Mas como? O pessoal da consultoria me falou que, do jeito que você está sendo roubado, quebra em menos de trinta anos.”
“Que nada, primo! Me roubando do jeito que meus funcionários e os clientes me roubam, pode passar três vezes trinta anos que a firma aguenta. Mas se for pra pagar o que a consultoria cobra por mês, sou eu que quebra em menos de trinta meses.”
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